Quercus manifesta parecer desfavorável a parque eólico em Odemira e Ourique
Escrito por Edgar Correia (CP 9036) em 25 de Setembro, 2026

IMG: Canva Pro (Ilustrativa).
A Quercus veio a publico manifestar um parecer desfavorável à instalação de 22 aerogeradores de grande porte nos concelhos de Odemira e Ourique, integrados no projeto “Parque Eólico do Mira – Hibridização da Central Fotovoltaica de Ourique”, promovido pela Galp.
Segundo a associação ambientalista, estão a ser subavaliados os potenciais impactes do projeto sobre a avifauna, habitats sensíveis e a qualidade de vida das populações locais.
O projeto encontra-se atualmente em fase de Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental, tendo a consulta pública terminado esta semana.
A Quercus aponta ainda para uma possível incompatibilidade com instrumentos de gestão territorial. Segundo a organização, alguns dos aerogeradores, identificados como AG19 a AG22, estão previstos para áreas de solo rústico no concelho de Ourique onde a instalação de projetos de energia renovável se encontra atualmente interdita por medidas preventivas ou suspensão parcial do PDM.
A associação refere também a existência de sobreposições com áreas de Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN).
Impactes em áreas sensíveis
De acordo com a Quercus, embora o projeto não incida diretamente sobre zonas classificadas, encontra-se próximo de três áreas consideradas sensíveis: a ZPE de Castro Verde, a 5,1 quilómetros, a ZPE Piçarras, a 8,6 quilómetros, e a ZEC Costa Sudoeste, a 5,1 quilómetros.
O projeto interseta ainda, segundo a associação, o corredor ecológico “Cintura de Ourique”, definido no PROF Alentejo.
A abertura de novos acessos e a instalação de plataformas para as gruas implicarão, de acordo com a Quercus, o corte de espécies florestais protegidas, como sobreiros e azinheiras.
A organização alerta também para a possível fragmentação de habitats e para o chamado “efeito barreira” provocado por aerogeradores com 172 metros de diâmetro de rotor e até 200 metros de altura.
A Quercus considera que este impacto poderá afetar espécies vulneráveis, nomeadamente aves de rapina, aves estepárias e populações de morcegos. A associação critica ainda o facto de a PDA em consulta pública não apresentar o inventário de fauna nem modelações prévias de rotas migratórias, remetendo essa informação para o Estudo de Impacte Ambiental final.
Risco de erosão e impacto nas populações:
Dos 22 aerogeradores previstos, 18 localizam-se no concelho de Odemira, nas freguesias de São Martinho das Amoreiras, Luzianes-Gare e Santa Clara-a-Velha.
A Quercus alerta para os riscos associados ao declive do terreno, às cabeceiras de linhas de água e aos solos de máxima infiltração a montante das bacias do Mira e do Sado.
A associação aponta ainda potenciais impactos na qualidade de vida das populações locais, nomeadamente devido à poluição sonora de baixa frequência e ao efeito de cintilação de sombras, conhecido como shadow flicker.
Segundo a Quercus, existe uma petição pública contra o projeto com mais de 2300 assinaturas.
Quercus pede revisão do projeto:
A Quercus defende a revisão do layout do projeto e a exclusão ou relocalização dos aerogeradores previstos para áreas interditas.
A associação pede também um plano de monitorização contínua da avifauna e dos quirópteros durante 12 meses antes do licenciamento, com especial atenção às espécies estepárias e aves de rapina.
Entre as medidas propostas está ainda uma avaliação dos impactes cumulativos, considerando não apenas o parque eólico, mas também as centrais fotovoltaicas e linhas de alta tensão existentes ou projetadas num raio de 15 quilómetros.
A Quercus defende igualmente a preservação do corredor ecológico “Cintura de Ourique”, a utilização prioritária de caminhos já existentes e a adoção de tecnologias de deteção e monitorização em tempo real que permitam a paragem automática das torres em caso de aproximação de aves ou morcegos em risco.