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Pressão migratória em Ceuta leva Espanha a reforçar fronteira

Escrito por em 31 de Julho, 2026

IMG: Canva Pro (ilustrativa)

 

A crise migratória na fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta continua a agravar-se. Milhares de pessoas tentam atravessar a fronteira, numa situação que já provocou pelo menos 18 mortos, levando o Governo espanhol a mobilizar militares para reforçar a segurança na cidade.

As Forças Armadas vão apoiar a Guarda Civil na manutenção da ordem, depois de as autoridades de Ceuta terem solicitado reforços a Madrid para responder ao aumento da pressão migratória, considerada a mais grave desde 2021. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, deslocam-se esta sexta-feira ao enclave.

Do lado marroquino, as autoridades reforçaram os controlos fronteiriços para travar novas entradas, embora milhares de pessoas permaneçam concentradas nas imediações da fronteira. Alguns migrantes lançaram pedras contra as forças de segurança e muitos continuam a tentar alcançar Ceuta por mar, contornando a costa.

O presidente do governo regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, voltou a pedir o envio do Exército, alertando que os centros de acolhimento estão sobrelotados, com centenas de pessoas a dormir na rua, após a entrada de mais de 1.500 migrantes na última semana.

O Ministério do Interior espanhol afirmou que Marrocos está a colaborar na gestão da crise e que ambos os países acordaram acelerar o regresso dos migrantes que entraram ilegalmente em território espanhol. Apesar disso, o Governo espanhol recusou decretar o estado de emergência nacional, considerando que a situação não representa uma ameaça à segurança nacional.

A crise coincide com o 27.º aniversário da subida ao trono do rei Mohammed VI, que não abordou o tema no discurso à nação. Entretanto, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, ameaçou suspender o acordo de Schengen com Espanha para reforçar a proteção das fronteiras italianas.

Segundo dados oficiais, cerca de 3.000 migrantes entraram em Ceuta por terra ou mar desde o início do ano. A atual crise faz recordar os acontecimentos de maio de 2021, quando mais de 8.000 pessoas atravessaram a fronteira em apenas dois dias.