Planeta pode enfrentar mais dois meses de calor extremo até ao fim do século
Escrito por Edgar Correia (CP 9036) em 17 de Outubro, 2025

IMG: Canva Pro (Ilustrativa).
O número de meses com temperaturas perigosamente elevadas está a aumentar em todo o mundo e as previsões apontam para que o planeta enfrente, até ao final do século, mais dois meses por ano com calor extremo.
De acordo com um estudo divulgado esta quinta-feira, os países mais pobres, que pouco contribuem para as emissões de gases com efeito de estufa, vão ser os mais afetados.
Os dados foram obtidos por cientistas da World Weather Attribution e da organização Climate Central, que recorreram a simulações em computador para comparar dois cenários: um em que se cumprem os compromissos assumidos no Acordo de Paris, e outro em que o mundo continua no rumo anterior a esse pacto global.
Se os compromissos forem mantidos, estima-se um aumento de 57 dias perigosamente quentes por ano. No cenário mais extremo, com a temperatura média global a subir 4 graus face à era pré-industrial, esse número duplica.
Ainda assim, os investigadores sublinham que os esforços do Acordo de Paris já tiveram impacto: sem eles, o planeta estaria a caminho de enfrentar mais 114 dias por ano com calor mortal.
Desde 2015, o mundo tem registado em média 11 dias por ano com temperaturas muito acima do normal, dias que, segundo os cientistas, colocam em risco a saúde pública e podem mesmo ser fatais.
O estudo mostra também a desigualdade dos impactos climáticos: os 10 países que vão sofrer os maiores aumentos de dias de calor extremo, como as Ilhas Salomão, Samoa ou o Panamá, produzem apenas 1% das emissões, mas vão suportar 13% dos novos dias perigosamente quentes.
Já os grandes emissores, como os Estados Unidos, a China e a Índia, que em conjunto representam 42% das emissões, enfrentarão um aumento inferior a 30 dias por ano.