Óbito: Fadista Maria do Rosário Bettencourt faleceu aos 92 anos
Escrito por Edgar Correia (CP 9036) em 5 de Janeiro, 2026

IMG: Reprodução Museu do Fado.
A fadista Maria do Rosário Bettencourt morreu no sábado, aos 92 anos, no hospital de Torres Vedras, no distrito de Lisboa. A informação foi confirmada no passado domingo por uma fonte da família à agência Lusa.
De acordo com a mesma fonte, o funeral realiza-se esta segunda-feira, em Torres Vedras, cidade onde a artista residia.
Maria do Rosário Bettencourt nasceu em junho de 1933, no seio de uma família de artistas. Estreou-se aos 19 anos, ao lado do fadista Fernando Farinha, na então Emissora Nacional. Ao longo da sua carreira, atuou em várias casas de fado de Lisboa e gravou sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, com destaque para os álbuns “Canto Presente” e “Para Cada Mão Uma Rosa”.
Numa nota biográfica, o Museu do Fado recorda que a fadista gravou e atuou com instrumentistas de referência, entre os quais Raul Nery, Fontes Rocha, Joel Pina, António Chaínho, José Maria Nóbrega, Raul Silva e José Pracana.
Segundo a mesma fonte, Maria do Rosário Bettencourt destacou-se pela “cuidada escolha de repertório e de poemas”, interpretando textos de autores como Maria Manuel Cid, Lima Brumon, Fernando Pessoa, Luís de Camões ou Bernardo Torres. Entre os temas que interpretou e gravou contam-se “Quadras Soltas”, de Francisco Viana e Silva Tavares, e “Quatro Estações”, de Joaquim Campos e David Mourão Ferreira.
A fadista integrou, ainda, júris do Prémio Amália Rodrigues e participou no filme “O Mal Amado” (1974), de Fernando Matos Silva, o último filme português a ser censurado durante o Estado Novo e que só estreou após a Revolução de Abril.
Em 1998, Maria do Rosário Bettencourt publicou uma coletânea de fados. Já em 2012, foi uma das 50 personalidades do fado e da guitarra portuguesa distinguidas com uma medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal de Lisboa, um ano depois da consagração do fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade.