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MUSP convoca semana de luta em defesa do SNS face a degradação no acesso à saúde (c/ som)

Escrito por em 8 de Abril, 2026

IMG: Canva Pro (Ilustrativa).

O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) convocou as comissões de utentes de todo o país para uma semana de luta em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), entre os dias 6 e 11 de abril.

A iniciativa surge num contexto que o movimento descreve como de crescente degradação no acesso aos cuidados de saúde, apontando para falta de investimento, escassez de profissionais e aumento da privatização ao longo das últimas décadas.

Segundo os dados divulgados, no início de 2026 havia cerca de 1,6 milhões de utentes sem médico de família, mais de um milhão dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo. Em algumas zonas, a percentagem de utentes sem acompanhamento médico ultrapassa os 90%.

O MUSP refere, ainda, a necessidade de reforço de recursos humanos, estimando em falta cerca de 3.000 médicos e 14.000 enfermeiros para equilibrar os serviços. Nos cuidados de saúde primários, a pressão tem aumentado, com tempos de espera para consultas não urgentes que podem variar entre um e seis meses.

Também nos hospitais se registam constrangimentos, com tempos de espera elevados nas urgências, que em alguns casos ultrapassam as nove horas, e atrasos nas consultas hospitalares que podem exceder os 300 dias em determinadas especialidades.

Entre os fatores apontados estão ainda a reorganização do SNS, a criação das Unidades Locais de Saúde e o avanço de modelos de gestão com participação privada, incluindo novas parcerias público-privadas e a possibilidade de unidades de saúde familiar serem entregues à gestão privada.

O movimento alerta para o agravamento das desigualdades no acesso à saúde e defende o reforço do investimento público, melhores condições de trabalho para os profissionais e um SNS universal e de qualidade.

Escute, aqui, as declarações de Humberto Costa, Membro da Comissão Permanente do MUSP, à Rádio Marinhais: