
Morreu Anita Guerreiro, figura incontornável do teatro de revista e do fado
Escrito por Edgar Correia (CP 9036) em 7 de Dezembro, 2025

IMG: Rafael Sá Carneiro.
Nascida em Lisboa com o nome Bebiana Guerreiro Rocha Cardinalli, Anita Guerreiro começou a cantar aos sete anos no Sport Clube do Intendente, apresentando-se com humor como “a miúda do Intendente”. Em 1952 participou no passatempo radiofónico “Tribunal da Canção”, do programa “Comboio das Seis e Meia”, então um grande sucesso.
A estreia profissional aconteceu em 1955, no Teatro Maria Vitória, com a revista Ó Zé aperta o laço, integrando nesse mesmo ano o elenco de Festa é Festa. Seguiram-se dezenas de participações no teatro de revista, incluindo produções marcantes no Coliseu dos Recreios como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956). Trabalhou nos principais palcos do Parque Mayer – Maria Vitória, Variedades, Capitólio e ABC, onde acumulou sucessos como atriz.
Paralelamente ao teatro, construiu um percurso sólido no fado, onde deixou temas como “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”, “Sou Tua”, “Lição de Amor”, “Calçadinha Portuguesa” e “Festa é Festa”. Foi, ainda, madrinha das Marchas Populares de vários bairros de Lisboa.
Nos últimos anos da sua carreira participou em várias produções televisivas, entre as quais Vidas de Sal (1996), As Aventuras do Camilo (1997), Médicos de Família (1998), Casa da Saudade (2000), Olhos de Água (2001), Bons Vizinhos (2002) e Os Batanetes (2004).
Em 2004, por ocasião dos 50 anos de carreira, a Câmara Municipal de Lisboa distinguiu-a com a Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro. Manteve-se no elenco da casa de fados “O Faia”, no Bairro Alto, até 2019.
A artista vivia na Casa do Artista desde 2018, onde continuou, segundo a instituição, a encantar colegas, amigos e colaboradores com a sua voz e generosidade.
“No silêncio da sua partida, fica o legado desta grande senhora da cena artística portuguesa”, conclui a nota divulgada pela Casa do Artista.