Falso polícia detido por burla superior a 60 mil euros
Escrito por Edgar Correia (CP 9036) em 6 de Março, 2026

IMG: Guarda Nacional Republicana (GNR).
A Polícia Judiciária deteve, na última quinta-feira, o presumível autor de crimes de burla qualificada e burla simples que terão provocado um prejuízo superior a 60 mil euros a uma mulher, ao longo de 2025 e 2026.
Em comunicado, a Polícia Judiciária adianta que a detenção foi efetuada pelo Departamento de Investigação Criminal de Braga. O suspeito apresentava-se na rede social Facebook como agente da PSP, iniciando conversas com mulheres de meia-idade, algumas delas com fragilidades a nível afetivo e de relacionamento.
Após o primeiro contacto, o homem combinava encontros presenciais e chegou mesmo a coabitar com algumas das mulheres.
De acordo com a investigação, ao longo de mais de um ano o suspeito manteve uma relação afetiva com uma mulher que se encontrava em processo de divórcio, conseguindo conquistar a sua confiança. Terá afirmado que a filha era advogada e que poderia ajudar no processo de separação.
Nesse contexto, levou a vítima a acreditar que, graças à sua intervenção e à da filha, o divórcio estaria a decorrer de forma célere. Disponibilizou-se também para ajudar nas partilhas, o que terá resultado num lucro ilícito de cerca de 25 mil euros, alegadamente destinado ao pagamento de bens partilhados, nomeadamente a casa de morada de família.
Além desse valor, o suspeito convenceu a mulher de que o dinheiro e os objetos de valor que possuía estariam mais seguros se ficassem consigo.
Durante o relacionamento, o homem terá ainda inventado que tinha sofrido um grave acidente de trabalho e que necessitava de internamento numa clínica privada. A alegada situação levou a vítima a entregar-lhe vários milhares de euros para suportar as supostas despesas médicas.
A Polícia Judiciária refere que, no decurso da investigação, foram recolhidos indícios de que o suspeito se apresentou como elemento policial junto de diversas mulheres, obtendo enriquecimento ilícito, pelo que se admite a existência de mais vítimas.
Noutra situação recente, o homem terá apresentado-se como elemento da GNR e conseguido cobrar cerca de 600 euros a uma mulher, prometendo facilitar questões relacionadas com contraordenações e com a legalização de uma viatura, verba da qual também se terá apoderado.
O detido, de 52 anos e sem ocupação profissional fixa, será presente esta sexta-feira a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação. O inquérito é dirigido pelo DIAP de Fafe.