Empresário envolvido na morte de membro do gangue do Rolex tinha sido condenado por burla a médico
Escrito por Edgar Correia (CP 9036) em 4 de Setembro, 2026

IMG: Guarda Nacional Republicana (GNR).
O empresário envolvido na morte de um membro do chamado gangue do Rolex, na sequência de um assalto em Lisboa, tinha sido condenado por burlar o médico Fernando Póvoas em 1,2 milhões de euros.
Segundo avança o Correio da Manhã, a decisão, conhecida em julho e proferida pelo Tribunal do Bolhão, no Porto, condenou o homem a quatro anos de prisão, com pena suspensa por cinco anos, mediante o pagamento de 50 mil euros à vítima.
Segundo a sentença, o empresário fingiu ser amigo da empresária Isabel dos Santos e da ministra da Indústria de Angola para conseguir aproximar-se do médico. Os dois estabeleceram uma relação de amizade, depois de o empresário lhe oferecer várias prendas e afirmar ter dupla nacionalidade e uma mala diplomática russa.
O homem, que se apresentava como gestor de fortunas, garantiu a Fernando Póvoas que conseguia desbloquear fundos em Angola, onde o médico tinha uma clínica.
Os dois terão acordado que o empresário traria meio milhão de euros para Portugal, em troca de uma comissão de 100 mil euros, que foi paga de imediato.
Em fevereiro de 2018, o empresário terá convencido o médico a entregar-lhe um milhão de euros, em duas tranches, alegando que estava em Angola e que a mulher precisava de dinheiro para pagar obras em casa. Póvoas entregou ainda mais 120 mil euros.
O empresário pediu também ao médico que utilizasse a sua conta em Angola para depositar um milhão de euros de supostos investidores. Cerca de um mês depois, quando estava no país, Fernando Póvoas foi ameaçado pelos donos do dinheiro, que alegavam ter sido enganados. O médico devolveu a quantia.
De regresso a Portugal, Póvoas tentou recuperar o dinheiro, mas terá sido persuadido a assinar um documento em que declarava tratar-se de uma doação.
O empresário foi condenado pelos crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais, com a decisão a determinar também a devolução dos 1,2 milhões de euros. Fernando Póvoas afirmou, contudo, que não recebeu qualquer valor.
O arguido contesta a condenação e diz ter provas de que o médico subornou uma testemunha. A testemunha afirmou durante o julgamento ter sido subornada por Fernando Póvoas, mas o juiz não deu credibilidade ao depoimento.
O empresário acredita que irá vencer o recurso, referindo que o processo já foi analisado em instâncias cíveis, onde lhe foi dada razão.
Recorde-se que o empresário foi assaltado por duas pessoas em dois motociclos, a 25 de agosto, tendo ficado sem um relógio e um fio avaliados em 100 mil euros.
Um dos assaltantes morreu na sequência dos acontecimentos. O empresário rejeitou ser responsável pela morte e afirmou ter agido em legítima defesa.
O segundo assaltante terá entretanto sido identificado e estará foragido.